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Sobre a inacessibilidade humana

Embora a solidão seja um sentimento comum a muitas pessoas, existem meios para reverter essa condição e buscar modos de interação mais satisfatórios...

   

Recentemente recebi um email (em massa) de um "conhecido de orkut". Ele queixava-se de sua luta contra a solidão e de que como seu esforço, via orkut e outros meios, não estavam lhe rendendo frutos, pois continuava sozinho.

O que chama a atenção é que o colega não está sozinho em sua mágoa e em sua dificuldade. Observo muitas e muitas pessoas queixando-se da tal dificuldade em se fazer amigos verdadeiros, CONSTANTES e profundos... Artigos científicos, conversas de botequim...

A questão é que existe algo errado. A primeira coisa é que várias pessoas adotam um discurso de negação da fundamental necessidade de estar com seus semelhantes, compartilhando sua vida, seja com a família, amigos ou namorado (a). Vivendo junto. Pois é... A questão é tão urgente que é até tema da Bienal de Artes esse ano (Como viver juntos).

Muitos estão carentes, solitários e choram compulsivamente no travesseiro. Agora, por questão de lógica: se temos essa necessidade, se o outro está teoricamente do meu "lado", o que faz com que permaneçamos trancados em nossas bolhas de solidão e sofrimento? Adotou-se um discurso de auto- suficiência, fortaleza, que simplesmente não existe. A maior prova é o aumento significativo de doenças como depressão, todo tipo de ansiedade, que certamente são "alimentadas" por este tipo de postura e visão de mundo comprada pela maioria das pessoas. Será que isso é um fenômeno apenas de grandes metrópoles, ou a globalização já tratou de espalhar essa situação para o mundo inteiro?

Conversando outro dia com um amigo, muito lúcido, diga-se de passagem, concordei que precisamos investir em comunicação. Ainda estou com Gandhi e não abro: "Você deve ser a mudança que deseja ver no mundo". Então, quando sentir-se menos ansioso depois de um banho de lágrimas, pegue seu telefone e ligue para tua agenda inteira. Comece você esse movimento de "desbolhação". Quebre tua bolha. Dê chance às pessoas, que tem sentimentos iguais aos seus. Ninguém é um monstro, por mais que tente acreditar nisso e muitas vezes, infelizmente, até tenha atitudes "monstrengas", como falta de consideração, indiferença... mas isso certamente é também uma defesa contra o medo de ser vítima das mesmas atitudes... Doente não?

Dalai Lama disse que tratava todas as pessoas como se fossem velhos amigos! E ele está certo! Pessoas são universos ricos e maravilhosos! Todos podem ser ótimos amigos, em potencial! Basta investimento dos dois lados!

Agora pense: o quanto você tem investido nos seus amigos? Nas suas plantas preciosas? Se teu jardim está seco, vá atrás de novas sementes e desta vez não se esqueça de regá-las! Se as plantas estão sem vida, dê uma adubada! Mexa-se. Não espere dos outros te procurarem! Parta do princípio de que você é quem tem que ter a iniciativa! E o resto anda sozinho. Tente e veja os resultados. Não desista. E faça isso quantas vezes precisar. Sinta como é bom estar na presença de gente.


Um abraço carinhoso
Thelma




 Autor(a): Thelma C. de Canhete
   
  Psicóloga, especializada em Psicopedagogia. Atualmente desenvolve trabalhos em saúde pública, tendo atuado também como educadora em Ongs e escolas.
   
 Contato: cibellis@hotmail.com
   



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