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Como a linguagem organiza nosso pensamento
Por estar a palavra intimamente ligada a imposição de idéias, a complementação de nosso caráter e muitos outros aspectos é de extrema importância estudar tal assunto. Mas como a linguagem é adquirida e processada pelas crianças para se chegar até tal grau de sofisticação? |
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A linguagem permite ao homem ligar o presente ao passado e antecipar o futuro.
É através dela que o homem pensa, lembra, elabora conceitos, organiza
suas experiências, trabalha no nível de abstração,
prevê, julga, planeja, idealiza.
Diante da necessidade de se explicar como e de que modo à criança
vai adquirindo a linguagem desde o momento em que nasce até os modos
de expressão verbal e não verbal, os estudiosos começam
a se preocupar com a aquisição e desenvolvimento e processamento
da linguagem.
Surgem então as principais teorias que abordam sobre o processo de Aquisição
da linguagem, entre elas o behaviorismo. Este termo behaviorismo foi inaugurado
pelo americano Jonh B. Watson, em um artigo de 1913 que apresentava o título
Psicologia como os behavioristas a vêem. O termo inglês behavior
significa comportamento, daí se denomina esta tendência teórica
de behaviorismo. Mas, também, utilizamos outros nomes para designá-la,
como comportamentalismo, teoria comportamental, análise experimental
do comportamento.
Esta teoria no que se refere ao processo de aquisição da linguagem
teve como base a proposta empirista sendo que esta não considerava a
mente como um componente fundamental para justificar o processo de aquisição.
Para a proposta empirista importava o fato de o conhecimento humano ser derivado
da experiência e de a única capacidade inata que ele possuía
ser aquela de formar associações entre estímulos e respostas
(E-R). Os estímulos e respostas são, portanto, as unidades básicas
da descrição deste processo de aquisição e o ponto
de partida para uma ciência do comportamento.
A teoria behaviorista parte do pressuposto que a criança é uma
“tábula rasa”, ou seja, que ela nada traz consigo e que tudo
o que ela aprende é adquirido através de experiências com
o meio, ambiente, ou seja, através de um processo de integração
com o outro. E esta só desenvolve seus conhecimentos lingüísticos
por meio de estímulo-resposta (E-R), imitação e reforço.
E assim para B.F. Skinner o mais importante dos behavioristas que sucedem Watson,
a linguagem pode ter um reforço positivo, onde o comportamento, ou seja,
a linguagem se manteria. E assim qualquer coisa que faça crescer a possibilidade
de que resposta ocorra é vista como reforço positivo. Alimento,
elogio, dinheiro, um balançar de cabeça e um sorriso são
exemplos de reforço positivo.
Existe também o reforço negativo, aquele que provoca uma resposta
de esquiva, isto é, o indivíduo evita determinado comportamento
com medo de punição. Um exemplo claro disso, é de uma criança,
pois quando fala algo que seus pais não gostam, estes então a
repreendem com um castigo, e então, ela vai ficar com receio e percebe
que isto não é bem aceito por seus pais.
A imitação também é um fator de grande importância
neste processo de aquisição da linguagem, pois a criança
diante da interação com outras crianças e com os adultos,
começa a imitá-los e isso chama a atenção dos adultos
e eles passam a incentivá-la ou recompensá-la por essa imitação.
Watson e Skinner são os dois grandes nomes do behaviorismo. Todavia,
outros tantos se destacam como Clark Hull, Dollard, Miller, Tolmun, Guthrie,
etc. Diante disso, não existe só uma teoria estímulo resposta
(E-R), mas um grupo de teorias, mais ou menos semelhantes, embora tendo cada
uma delas ao mesmo tempo algumas qualidades distintas. E foi assim que esses
sistemas começaram, como tentativas para avaliação da aquisição
e retenção de novas formas de comportamento que apareciam com
a experiência. E é por isso que se dá grande ênfase
ao processo de aprendizagem.
De acordo com as teorias comportamentalistas, os modelos da personalidade e
principalmente do processo de aquisição da linguagem são
resultados das respostas aprendidas aos estímulos do ambiente.
Skinner é o fundador da maior escola de pensamento na psicologia (E-R).
Ele realmente fundou um sistema que se baseia no behaviorismo de Watson e nos
conceitos de estímulo, resposta e reforço. Segundo seu conceito,
reforço é qualquer estímulo que torne mais forte a resposta
que leva de volta ao estímulo. Skinner distingue entre dois tipos de
aprendizagem: a respondente e a operante. Para ele, o tipo operante é
mais importante, desde que envolve formas mais complexas de aprendizagem. Na
aprendizagem operante, as situações devem ser arranjadas de modo
que a resposta desejável seja relacionada ao reforço. Exemplo:
em uma instituição, um cientista gostaria de levar um dos internos
ao laboratório para estudo, e toda vez que este interno passava pela
porta do laboratório, o cientista lhe sorria e lhe dava bombons, coisa
que o indivíduo muito apreciava. Com o tempo, o sujeito passou a esperar
o sorriso e os bombons por parte do cientista. Posteriormente, este não
apareceu à porta do laboratório e o interno, toda vez que por
ali passava, olhava ansiosamente para dentro do laboratório, até
que, um dia, acabou por entrar (busca do estímulo). Como se pode ver,
a situação foi arranjada, usando-se um reforço para que
o indivíduo desse a resposta desejada, que era entrar no recinto da pesquisa.
É percebível que a contribuição do behaviorismo
para os estudos de aquisição da linguagem é muito significativa,
pois é através das nossas relações com os outros,
em que a linguagem se coloca como fator primordial, é que vamos elaborar
nossas representações do que é mundo. A palavra está,
então, intimamente ligada à transmissão ou imposição
da ideologia dominante. E assim seu desenvolvimento em todos os aspectos se
dá em um meio social - lembremos que as palavras dos outros se tornam
nossas palavras, sua maneira de falar, nossa maneira de falar, as idéias
que eles veiculam através da palavra se tornam nossas idéias e
as respostas esperadas ao estímulo de meio social. Assim, por exemplo,
se uma criança usa uma palavra ligada a sexo, em nossa cultura, ela é
reprovada com uma cara fechada, palavras de repreensão ou mesmo um castigo.
Ela aprende três coisas: que a palavra não pode ser dita; que se
for dita será considerada como agressão; e, ainda, que o sentido
implícito, sexo, não é algo bem aceito em sua sociedade.
É partindo deste pressuposto que a linguagem pode estimular diretamente
um padrão de resposta específico e isto é crucial na aprendizagem
e na elaboração mental.
Portanto, é a partir da teoria behaviorista que são conhecidos
os métodos de ensino programado e o controle e organização
das situações de aprendizagem, bem como a elaboração
de uma tecnologia de ensino, pois a análise experimental do comportamento
auxilia-nos a descrever nossos comportamentos em qualquer situação
ajudando-nos a modificá-la. E assim, percebe-se que a interação
e a comunicação entre os indivíduos são as conseqüências
mais evidentes no processo de aquisição da linguagem.
Referência:
SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagem. In MUSSALIM, Fernanda;
BENTES Anna Christinna (orgs). Introdução à lingüística:
domínios e fronteiras, V.Z. São Paulo: Cortez, 2001.
SANTOS, Raquel. A aquisição da linguagem.
FIORIN, José Luiz (org.) Introdução à lingüística:
I. objetos teóricos. São Paulo: contexto, 2002.
DEL RÉ, Alessandra. Aquisição da Linguagem: uma abordagem
psicanalingüística. São Paulo: Contexto, 2006.
| Autor(a): |
Daniele Pontes Passos |
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Professora na área de linguagens e códigos. |
| Autor(a): |
Patricia Andrade |
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Professora na área de linguagens e códigos. |
| Observação: |
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Artigo escrito sob a orientação do professor Vicente Martins, da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. E-mail: vicente.martins@uol.com.br |
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