Portugal
e as migrações
por Solange Monteiro Amador
Podemos considerar que as migrações
fazem parte da história de Portugal durante todo o período
oitocentista, ou seja, desde sua origem até a atualidade.
Esses movimentos migratórios desempenharam uma importância
sócio-econômica política e cultural particular
em cada momento histórico.
Desde a independência desse país
até a década de 70 do século XX foram os fluxos
emigratórios que tiveram destaque com as famosas viagens
ultramarinas de descoberta de territórios, colonização,
exploração e povoamento dos mesmos. A imigração
para esse território desenvolveu-se, no entanto, ao longo
de toda sua existência, sendo mesmo responsável pelos
primeiros contatos dessa sociedade com o comércio e navegação
que associados à política da realeza incitaram a expansão
marítima portuguesa e foram imprescindíveis para a
manutenção da política econômica dessa
sociedade.
Até o início do século
XX, os imigrantes foram requisitados pela sociedade portuguesa sempre
para atividades de grande importância, hajam vistos os quadros
que compunham, como as forças armadas militares, os cargos
qualificados do governo para o desenvolvimento arquitetônico,
por exemplo, para o investimento comercial, etc. bem como para o
trabalho desqualificado, a fim de substituir a mão-de-obra
portuguesa que se encontrava espalhada nos diversos continentes
do mundo. Essa imigração desempenhava uma importância
cultural fundamental, considerando, por exemplo, o grau de qualificação
dos profissionais estrangeiros que supriam a lacuna nacional; econômica,
à medida que todos os estrangeiros contribuíam para
o aumento do PIB nacional, e com o ingresso de dinheiro dos mesmos
aplicado no comércio, desenvolvimento de estradas, das telecomunicações,
etc, do país; e demográfica colaborando para o aumento
do número de habitantes no território nacional. Além
disso, eles permitiam a manutenção da emigração
que se constituía, para além da decisão individual
do emigrante, uma política estatal, pois as remessas de dinheiro
enviadas pelos emigrantes portugueses constituíram uma importante
fonte de divisas do Estado português, sendo em alguns momentos
a principal forma de arrecadação. O ilustre historiador
português Alexandre Herculano afirmou que nunca o Brasil Colônia
rendeu tanto a Portugal como quando tornou-se país independente
recebendo no seu seio grande número de portugueses emigrantes
que enriqueciam sua terra natal com as remessas de divisas enviadas
para seus familiares e para a formação de uma poupança
com o objetivo do regresso à pátria mãe.
A partir de 1974, Portugal viveu a Revolução
dos Cravos que consolidou o fim da ditadura militar e deu início
à democracia no país, a perda do monopólio
ultramarino com a independência de muitas colônias e
a adesão à Comunidade Economia Européia (CEE).
Para juntar-se à essas mudanças deu-se a derrocada
do regime soviético, caracterizada pela queda do Muro de
Berlim, marcando o imperialismo do capital.
A partir de então deu-se a formação
de novos fluxos migratórios, que acabaram por conferir à
Portugal o estatuto de país de imigração, expressam
a nova divisão internacional do trabalho trazida com a globalização
mundial do capital a partir de sua orientação neoliberal.
As novas formas de produção criaram um desemprego
estrutural: com um exército industrial de reserva de mobilidade
transnacional.
E como se configuram esses novos fluxos migratórios,
desta vez em direção à Portugal? O que aconteceu
com a emigração portuguesa? Quais as repercussões
e impactos da imigração em Portugal?
Essas e outras questões serão
tratadas/abordados na seqüência deste texto.
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Autora
Solange Monteiro Amador, assistente
social pela PUC-SP e pelo ISSS de Lisboa, Mestre em Serviço
Social pela PUC-SP. (solangebr@sapo.pt)
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